quarta-feira, 15 de maio de 2013

América do Sul - países andinos


América do Sul - Países Andinos


Introdução
São formados pela Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Chile. O fato que lhes dá unidade geográfica é o de pertencerem à região dominada pela cordilheira dos Andes, que, paradoxalmente, dificulta a comunicação entre eles. Exceção feita ao Chile são todos amazônicos, pois as planícies orientais a eles estão na área de abrangência da maior floresta úmida do mundo. O conjunto geográfico principal é o da cordilheira com seus 7 000 km que vai da Venezuela até o Chile, área de concentração populacional (nos altiplanos de mais 3 000 metros que ficam entre os blocos montanhosos) já que o último conjunto, o das planícies litorâneas, é muito pouco habitado, por serem úmidas, acima do Peru; áridas, no norte do Chile - deserto de Atacama - ou acidentadas, em vários pontos.
 Aspectos Físicos
Três conjuntos naturais distinguem-se na América Andina: as planícies orientais, a cordilheira dos Andes e as planícies litorâneas.
As diferenças de latitude e altitude ensejam o aparecimento na região andina de uma variedade de condições. No aspecto climático, podem-se encontrar desde o sul de Valdívia (no Chile) o gelo e a neve permanentemente ou bastante freqüentes, mesmo em baixa altitude (600 m).
Os sinais de glaciação são confirmados pelas numerosas regiões onde surgiram grandes lagos, nas depressões provocadas pelas antigas geleiras. Se a vegetação da tundra sobre o extremo sul, as florestas do tipo temperado surgem em boa parte do litoral chileno. Já nas vertentes ocidentais do Peru e do norte do Chile, praticamente a vegetação inexiste, a abundante vegetação amazônica domina inteiramente. Há, portanto, uma grande diversidade de paisagens.
 Características Humanas

PORCENTAGEM NA POPULAÇÃO TOTAL
 PAÍSES
INDÍGENAS
MESTIÇOS
BRANCOS
NEGROS E OUTROS
VENEZUELA
7
65
20
8
COLÔMBIA
1
75
20
4
EQUADOR
40
40
10
10
PERU
46
38
12
4
BOLÍVIA
55
31
14
-
CHILE
2
68
30
-

Examinando o quadro acima, verifica-se a predominância de determinado tipo humano, por exemplo, a população branca no Chile, uma razoável maioria de mestiços na Colômbia e Venezuela, uma maioria indígena na Bolívia, e um equilíbrio entre indígenas e mestiços no Peru e Equador. Essas condições atuais são resultantes das nuances do passado colonial espanhol sobre a região.
O Crescimento Populacional
POPULAÇÃO - EM 1.000 HABITANTES
 PAÍSES
1937
1952
RECENSEAMENTO
ESTIMATIVA
(1990)
VENEZUELA
3.400
5.400
7.523(1961)
18.000
COLÔMBIA
8.500
12.000
17.484(1964)
30.000
EQUADOR
2.300
3.400
4.476(1962)
9.500
PERU
4.700
5.900
9.906(1961)
20.000
BOLÍVIA
2.100
3.100
2.704(1950)
6.500
CHILE
4.000
5.900
7.374(1960)
12.500
TOTAL
25.000
35.700
49.467(1960)
92.600

Pela evolução da população andina, vê-se, claramente, o exemplo de explosão demográfica. Em 50 anos, a população quase quadruplicou e, em 35 anos, quase triplicou. Esse crescimento agrava as condições de vida das populações já miseráveis dos indígenas e das massas suburbanas, pois não existe uma política de desenvolvimento voltada para a satisfação de suas necessidades. Há um crescimento vegetativo muito elevado, decorrente da:
· diminuição das taxas de mortalidade (melhores condições higiênicas, vacinações em massa, maior assistência médica);
· manutenção de taxas de natalidade muito elevadas, já que a região nunca recebeu imigrantes.
Distribuição da População
PORCENTAGEM DA POPULAÇÃO
 PAÍSES
ANDES
LITORAL
PLANÍCIES ORIENTAIS
VENEZUELA
84
-
16
COLÔMBIA
78,4
19,6
2
EQUADOR
55,4
43,2
1,4
PERU
60
27
13
BOLÍVIA
85,9
-
14,1

1 - inclui a pequena % da população litorânea.
2 - inclui a população que vive no planalto
(56, 1%) e nos vales orientais da cordilheira (29,8%).
O quadro revela que a cordilheira dos Andes acolhe uma população bastante superior que as planícies situadas a oriente e litoral. No Chile, a população se concentra num vale longitudinal de
1 000 km de extensão, situado entre as cordilheiras da Costa e a dos Andes.
 Economias Monoexportadoras
As economias andinas são muito dependentes devido à característica de monoexportação que as persegue desde a época colonial. Essa mono-exportação explica os mercados internos, muito restritos, a concentração de renda, a industrialização tardia e precária que caracteriza esse países.
Primeiro, o caráter agrominerador desses países que exportam um único tipo de riqueza, favorecendo uma parcela ínfima da população que é proprietária do recurso (no caso terras ou minas).

Aspectos Econômicos
Posteriormente vamos encontrar a renda muito concentrada no exclusivo grupo de poucos ricos existentes nessa sociedade, o que torna muito concentrada a renda e, portanto, muito restritos os mercados internos.
Assim vem a inviabilidade da industrialização e, portanto, devido ao pouco consumo interno, uma maior vantagem em importar do que produzir o produto industrial - já que o país tem superávit em sua balança comercial para pagar as importações com seus recursos monoexportadores.
Dessa forma a sociedade permanece tradicional, a economia controlada por oligarquias tradicionais e a industrialização precária.
Houve algum desenvolvimento industrial interno nesses países apenas quando as condições do comércio internacional foram anormais: no caso, durante a 2ª Guerra Mundial.
Voltando à normalidade do comércio externo, a industrialização regrediu e tornou-se dominada pelos investimentos transnacionais nos anos 60, 70. Nos anos 80, com a alta dos juros que regulam as dívidas externas desses países e a queda no preço das exportações de matéria-prima (minérios, petróleo, produtos tropicais), a dependência econômica voltou a aumentar. Portanto, as economias andinas são submissas e controladas ainda pelos interesses internacionais.
 A Agricultura
A agricultura de exportação e as plantations ocupam as terras mais férteis da América Andina enquanto a agricultura de subsistência, realizada pelos pequenos proprietários é reduzida às terras menos férteis.
Isso explica a fome que se propaga em quase todos os países andinos, sobretudo nos que mais dependem da economia agrícola para suas exportações.
Os grandes exportadores agrícolas dentre os países andinos são o Equador (banana, café, cacau), Peru (algodão e açúcar) e a Colômbia (café). Podemos considerá-los formalmente monoexportadores desses produtos, apesar de o Equador ter razoável exportação petrolífera.
Vários países da América Andina, têm, na agricultura comercial, uma importante fonte de divisas.

Países 
 Produtos
Produção
 Exportação
(% no valor total)
 Colômbia
Café
522
49%
Equador
Banana
4137
10%
Café
54
6%
Cacau
53
6%
Peru
Algodão
70
5%
Açucar
920
5%
Fonte: Guia do Terceiro Mundo (1996)
Mineração
A exportação de minérios é fundamental para as economias andinas e, mesmo nos países agroexportadores, ajuda a complementar a balança de exportação.
 A - O Petróleo Venezuelano
A Venezuela é o maior produtor de petróleo da América Latina, produzindo, em 1990, em torno de
220 m de t desse produto.
O lago de Maracaibo, com as suas 10 000 impressionantes torres, fornece dois terços de sua produção e a região do Orenoco, 20%.
Outros países andinos produzem petróleo (Equador, Peru, Colômbia, Bolívia e Chile), mas com produções expressivamente inferiores às da Venezuela.
 B - O Cobre Chileno
Responsável pela ascensão e queda de governos, o cobre chileno atingiu uma produção de 900 000 toneladas, em 1989, 3º do mundo. Os EUA são os maiores compradores. As principais jazidas localizam-se no Atacama, nas proximidades de Antofagasta e O' Higgins - no norte do país.
 C - O Estanho Boliviano
A empresa estatal COMIBOL - Corporación Minera de Bolívia - detém o controle sobre as minas desse país, nacionalizadas em 1952.
A Bolívia detém 90% da produção latino-americana, mas somente 12% da mundial (2º), sendo que a Malásia detém 30% com 58 703 t (da Bolívia foi de 30 782 toneladas em 1978. Hoje, 1996, 40 000 t.
A comercialização do estanho boliviano é dificultada, principalmente, por minas situadas na Cordilheira Oriental, distante dos portos chilenos e peruanos e a 4 000 m de altitude; por lançamento de estoques estratégicos pelos EUA no mercado mundial pela instabilidade política local.
 Outros Produtos Importantes
O pescado peruano merece destaque, sendo a primeira exportação sul-americana desse produto e também a maior produção.
O Peru é favorecido pela corrente de Humboldt em seu litoral, que provoca a grande ressurgência quando na fossa submarina do Peru, trazendo à tona os cardumes.
O salitre chileno também é muito importante como extração mineral, assim como o guano, que é extraído das ilhas peruanas para o fabrico de fertilizantes.

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